domingo, 3 de fevereiro de 2013

NO LIKE GO HOME!


Frase típica de navio, sem conjugação de verbo e noção nenhuma de inglês, é a forma mais explicita de mostrar a alguém que se não se adapta a essa vida, vá pra casa que é a melhor coisa que faz.

Mas tem gente que não entende o recado. Aqui por exemplo, como é muito mais intenso e militar do que na outra companhia, o negócio é simples: ou você aguenta ou bye bye honey!

Tem hora que você para e começa a olhar as coisas ao seu redor, e tem gente que tem meses a bordo e não consegue fazer nada direito e você começa a se estressar por isso, e esse stress te gera antipatia gratuita, assim como também por aquelas pessoas que não tem nem um mês a bordo e acham que sabem tudo de tudo, e te irritam por quererem se achar o que não são. Você então começa a ver que as pessoas que te estressam são insignificantes e por elas se acharem alguma coisa, te estressam mais ainda, e então você percebe também que o seu stress está vindo das pessoas que te cercam e que esse stress só tende a piorar. Então fu.

Esses dias acordei meio nostálgico, e essa nostalgia só fez aumentar. Deu saudade da casa, do quarto, da família, dos amigos, dos cachorros, daquele role miado na praça bebendo cerveja barata e até mesmo das amnesias de sábado a noite. Fiquei vendo as fotos no celular e voltando até o começo, quando eu comprei e vi fotos desse embarque, da vida de antes dele, dos roles que eu vivia fazendo, dos momentos bons que passei, voltei a ver fotos do outro embarque e vi fotos de quando eu era feliz e vivia uma hiper vida lá na Ibero, de como tudo lá era fácil e divertido e como isso tudo aqui agora é esforço e e pressão que no final tem que valer a pena.

Tem horas que você pensa em desistir, pela pressão, pela injustiça toda que rola e você se revolta. Mas saber que tudo isso vai dar um fim, que o dinheiro que eu vou ter no final dessa merda toda vai me fazer bem e que eu vou conseguir as coisas que quero, que é um investimento a longo prazo (e bota longo) e que todo vai dar certo. Isso me faz seguir em frente.

Meu chefe anda enlouquecido, sim, não enlouquecendo, ele anda enlouquecido. O capo surtou! Umberto agora deu pra gritar por nada e falar coisas ridículas, surtar por muito pouco e fazer a linha “carrasco”. Pra que, eu queria muito entender. Ai invés de se mostrar o compreensivo de sempre e de continuar na teoria da “Família Feliz”, ele quer botar terror e que se dane a família nessa história.  Depois de gritar, de me tirar do restaurante e continuar gritando, não só comigo mas com todo mundo, eu resolvi ligar o f*-se e deixar que ele grite sozinho. Melhor assim, ele grita, eu acato e ele fica com cara de bunda :) que se dane ele também.

Bye Bye Ju.

E então se foi um pedacinho do meu coração.  Ela que desde o começo me cativou e que eu contava quase tudo, que foi separada de mim por um restaurante e depois nos juntaram de novo até nos separar novamente, resolveu seguir a vida lá de fora, depois de ser chamada no concurso do Banco do Brasil, o que é bem melhor que isso aqui. Mas indo embora, elA deixou um vazio. Não tenho mais pra quem soltar o meu doce veneno sobre as “coisas” que temos a bordo, ou naquele bendito e lindo buffet. É daquelas pessoas que você fica esperando pra contar as coisas, sabendo que vai te entender, e que agora você procura, procura e... cadê? Triste :( Mas enfim né. Acontece dessas coisas e sei que quando fui embora deixei pessoas assim no outro navio, cada um tem sua hora de largar os laços, e fortalece-los depois.

Falando em laços, vivo encontrando o Costa Favolosa, onde está o maldito do Cleyton, que combinamos antes de embarcarmos de nos encontrarmos sempre nos portos e depois de embarcado o filho da p* nunca mais deu notícias, exceto por UMA vez que postou no facebook que estava vivo. O jeito é achar alguém a bordo do Favolosa e achar esse cretino lá. Assim como foi com a dona Karine, que está a bordo do Pullmantur Zenith e eu não consigo encontrar nunca, mesmo estando nos mesmos lugares! Esses dias encontrei numa casa de cambio, uma galera com uniforme da Pullmantur, e logo vi um nametag escrito BARTENDER. Fui perguntar se conhecia a Ka e a menina disse que sim, pedi pra avisar que tinha me encontrado e que eu tento a meses falar com ela, sem sucesso. Logo depois encontrei o Marcos que trabalhou conosco na Ibero e TAMBÉM está no Zenith, pedi pra que avisasse a cretina que me encontrou, e  ela deu sinal de vida? Aham Claudia, senta lá. Irmã desaforada essa.

Bom, já desabafei o que tinha que desabafar e vou ficando por aqui, não deixando de esquecer de dizer que estou (sempre) com saudade da Família e dos Amigos.  Amo vocês, sempre.

Beijo, cambio desligo.   

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