domingo, 19 de maio de 2013

em 6 meses, tanta coisa pode acontecer...

voltei ao mar, conheci novos caminhos, novos lugares e novas culturas, descobri nacionalidades que nem sabia da existenciam, gente do Brasil de norte a sul, nordeste a sudeste, da Espanha, Italia, França, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Honduras, El Salvador, Indonesia, India, Myamar, Croacia, Romenia, Bulgaria, Malta, Colombia, Portugal, Tunísia, Turquia, Montenegro, Servia, Madagascar...

ouvi linguas de todas as partes, conheci lugares novos e visitei os já conhecidos, andei, sozinho e acompanhado, caminhei sempre seguindo em frente, fotografei tudo que pude, senti cada momento intensamente, me apeguei, me apaixonei, magoei, esqueci, chorei, lembrei, gastei dinheiro, realizei metas, fiquei com saudade, matei a saudade, bebi, perdi a memória, fiz amigos, vi eles irem embora, dancei, cantei, me emocionei, revi amigos, comi sorvete roubado, roubei comida, me aventurei, fui pra praia, fui pra trilha, andei de barco, conheci o Cristo Redentor e o Batacla, peguei insolação, passei o primeiro natal da minha vida longe de casa


vi mais amigos irem desembarcarem, passei mais um reveillon em copacabana, bebi milk shake em buenos aires, me irritei, me estressei, gritei, briguei, respeirei fundo e aceitei, fui promovido, fiquei doente, perdi a promoção, me revoltei, me decepcionei, radicalizei, enloireci, me apaixonei, não acreditei, decepcionei as pessoas, acertei os erros, fiquei bem. 


prendi a unha na porta, perdi a unha, passei uma noite em Ibiza, outra noite em Ibiza, várias noites em Ibiza... vi os camelos na Tunísia, comi o sauduíche do infarto, fui promovido de novo, me irritei, me estressei, cortei o cabelo, pintei o cabelo de volta, recusei promoção, voltei ao inferno, vi o demonio ir embora, fiquei feliz, permaneci feliz, estou feliz. sinto saudade, sinto vontade, sinto que tudo pode dar certo, e que pra ser assim é só seguir em frente.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

E tanta coisa mudou...


Venho pensando bastante em tudo e vendo que muita coisa mudou de uns tempos pra cá. Ontem eu estava em casa pensando no que fazer da minha vida, cheio de sonhos e de mãos atadas por estar em um lugar tão pacato como Itanhaém, imaginando milhares de possibilidades (cabiveis ou não) de mudar o meu rumo, até que num momento subto de loucura resolvi embarcar num navio pra ficar meses fora, longe de casa, da familia, dos amigos e da minha real vida. Conheci gente de tudo que é canto do mundo, ouvi linguas que nem sabia que existiam, aprendi a respeitar novas culturas, aprendi também a dar valor a coisas simples e vi que muitas vezes nós podemos nos contentar com tão pouco e nem damos valor. Aprendi a dizer EU TE AMO com a verdadeira força que essa frase pede pra ser dita, com o sentimento verdadeiro do que é o amor. Senti saudades de um jeito o qual muita gente jamais vai sentir, passei por inúmeras situações, desde incríveis, as frustantes, chatas, inesquecíveis e então descobri que a amizade é uma coisa essencial e por mais que você cative alguém e compartilhe momentos simples e curtos, certas amizades marcam sua vida de uma forma única e isso faz com que pessoas permaneçam no seu coração pro resto da sua vida, mesmo você podendo correr o risco de nunca mais vê-las novamente.
Muita coisa aconteceu e eu aprendi a me envolver, sabendo que o amor que eu sentia era carência e que o sofrimento era sempre passageiro. Peguei sem me apegar e me apegando também, mas qual a graça da vida se não for assim? quantas vezes me peguei pensando que tudo seria bom se fosse fácil, e logo depois me peguei pensando que se fosse tudo fácil, não teria graça alguma...
Sobrecarreguei, cansei, magoei, achei que não fosse capaz. Saí de cabeça erguida com a ideia de que poderia não ser um tchau definitivo, e com a certeza de que saí, fiquei com vontade de voltar em uma semana, mas pensando que pelo que estava recebendo não valeria mesmo a pena.
Tentei tomar um rumo em terra, em vão. Na cidadezinha pacata, nada do que almejava era possível, e num outro momento subto de loucura decidi voltar e tentando pra uma companhia, passei por outra e embarquei nessa vida mais uma vez, achando que tudo que eu esperava encontraria, e quebrei a cara vendo que estava recebendo pouco pelo pouco que trabalhava, e assim meu mundo sofreu uma outra grande mudança: me vi tendo uma força (psicológica e física) que jamais achei que teria. Mostrei pra o que vim e até então continuo mostrando. Cativei mais pessoas e sei que muitas dessas pessoas, como tantas outras, jamais vou ver também. Me envolvi de novo, disse adeus mais de uma vez, sofri as vezes calado e outras tantas em ombros amigos, amigos esses que muitas vezes já me deixaram na mão e muitas vezes já me apoiaram, amigos os quais eu posso continuar vendo e revendo depois que sair desse mundo paralelo, ou não mais. 
Mas como posso saber? Tudo é tão diferente fora daqui. Conheci muita gente e me apeguei a pessoas que moravam perto de mim e depois de desembarcados não consegui ver ninguém. Estranho, porém a triste realidade da vida a bordo. Você fora dela tem compromissos e imprevistos, não tem a facilidade que tinha antes de encontrar os amigos pelo corredor e poder trocar uma boa conversa todos os dias várias vezes.
Hoje me sinto muito mais maduro do que um ano atrás, completo cinco meses em poucos dias e saber que estou bem, forte e que posso ficar mais cinco sem tanto esforço, é incrivelmente revitalizante. Saber que meu trabalho é bom e reconhecido, mesmo sofrendo muitas vezes as incríveis injustiças a bordo que todo mundo sempre acaba passando, sei que faço o certo e que as pessoas veem isso. 
Quero sair daqui com contrato finalizado e de cabeça erguida, sabendo que fiz examente tudo o que eu pude e quis. Que dei sempre o meu melhor e que apesar de nem todos gostarem de ouvir certas coisas, disse tudo o que merecia ser dito.
Mudei muito desde que embarquei nessa vida. Descobri que meu temperamento nervoso as vezes pode me prejudica, ou não, assim como muitas vezes falo tudo o que deve ser ouvido e recebo apoio, assim como outras vezes não recebo e me frusto, com vontade de bater em meia dúzia de pessoas inúteis, mas por não poder, me contenho. 
Sei que amadureci em questão de vida. Sei que posso sair de casa e sobreviver sem meus pais, apesar de morrer de saudade deles, da minha irmã e dos meus cachorros, sei que sou grande o suficiente pra tomar um rumo grande na minha vida e essa opção pode existir depois de tamanha experiência vivida não só uma vez por loucura, mas sim por saber que sou capaz. 
Amadureci no quesito relacionamentos, em partes, sei que ainda sou o mesmo bobo de antes que quando se apaixona só faz bobeira, mas a vida a bordo te mostra que tem tudo é do jeito bonito de ser, e que as vezes você fica com alguém que nem se imaginou e depois se apega, desapega, ou conhece alguém que pode levar pra vida inteira, vai de momento, vai de sentimento. E nesse quesito estou muito bem resolvido, sabendo que tudo o que eu faço é pensado duzentas vezes antes pra não sofrer consequencias ruins depois.
Mudei também visualmente, por subta loucura mudei do preto ao branco, ou melhor, do castanho ou louro. Causei revolta em alguns, inveja em outros, agradei muitos e alguns estranharam, hoje dizem até que já se acostumaram depois de uma semana e que não me veem mais de cabelo escuro.
Queria dizer mais uma porção de coisas que seriam cabiveis ao momento, mas por estar escrevendo a três noites e não ter a ideia concreta na cabeça, acabei por simplesmente desabafar mais uma vez.

Estamos na Europa e agora começa uma nova temporada, cheia de momentos incríveis, boas vibrações, novos lugares, novas aventuras e muita loucura.

so, that's it.

(postagem escrita 20/03 e postada somente hoje 04/04)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um tempo sem escrever, e novidades boas são lendas


Sabe aquela crise dos 3, ou 4 meses, ou outros tantos, que nós sempre damos um nome de crise dos tal meses pra poder dizer que temos uma crise, e que na verdade é um dos milhares de surtos que damos e continuamos a dar a bordo. Então, completei 4 meses rs. E assim ando MUITO estressado, a ponto de voar em algum passageiro a qualquer momento, o que não está muito difícil.

Passamos pelo maldito cruzeiro de carnaval que fez da nossa vida um inferno, com direito a gente abrindo o buffet as 5h, os horários picados, a linha ficando aberta do começo ao fim, um monte de gente bêbada pra todo lado, gente sem roupa (sem camisa, de sunga, biquíni, que não pode no buffet) pra todo lado, gente gritando, fazendo samba e pagode o dia todo, sendo os mesmos mal educados de sempre e muita coisa pior. Enfim, passamos por esse cruzeiro e saímos vivos. Com direito a uma “folguinha” noturna pra curtir o carnaval de Salvador. Foi bem divertido, diga-se de passagem rs só o cansaço do dia seguinte que matou. Mas quem se importa? Curti o Carnaval de Salvador! Rs

Depois desse cruzeiro lindo, que durou uns dias ae, entramos num cruzeiro ridículo de 4 dias, e depois (agora) em um de 3 dias, um pior do que o outro, pra nos quebrar mais depois do carnaval, com gente pobre, sem educação que pagou o cruzeiro em 50x de 10 reais pra embarcar. Gente sem noção, perguntando se bolo é bolo, pedindo cafezinho na linha da sobremesa, jogando pão dentro da baia de rosquinhas, e coisas absurdas do mesmo nível.

Agora vamos pegar um cruzeiro de 7 dias, que graças a Deus, assim eu espero, que seja mais calmo e nos deixe descansar, porque depois dele lá vão vir mais dois de três dias, e depois EUROPA!! Contei os dias pra chegar no Brasil, ter sinal no celular e poder enfim falar com as pessoas que amo, agora mesmo continuando a amá-las, conto os dias pra ir pra Europa, e acabar esses cruzeiros de pobreza ralé que só nos fazem enlouquecer!  Sei que é até estranho dizer isso agora, mas sei que nada vai ser muito diferente, já que só mantenho contato pela internet. Vai simplesmente ser de longe dessa vez, e não tão frequente, como todo porto que tenho sinal no celular, será mais controlado por a internet ser mais cara, e tentarei pegar um plano de internet bom pra celular na Europa.

Apesar de trabalhar demais, não tenho muito o que dizer. Agora andamos saindo juntos, por estarmos no mesmo time de trabalho: eu, Ju e Helena, mas já tiraram a Helena do nosso Trio ;s bando de gente chata. Saímos em Búzios, Punta, Maceió, conhecemos o calçadão de Copacabana e fomos embora com medo de sermos assaltados rs. Conhecemos o Aquário de Ubatuba e além disso tudo, eu dormi demais.

Os horário de trabalho continuam sinistros, cada dia muda, os breaks mudam, está tudo a lá vonté do Capo, que continua louco e surtando, controladamente agora, mas enfim.

Esses dias fiquei muito chateado. Saí pra ir a praia com o pessoal e passamos numa casa de cambio antes, a cotação estava boa e eu decidi voltar ao navio pra pegar meu dinheiro e já trocar, onde já chegando encontrei Adry e Mari desembarcando (pediram sign off) e eu já tomei o primeiro soco no estomago do dia ;/ duas pessoas que aprendi a amar e ter um enorme carinho, foram embora, de novo. Chegando (atrasado) no buffet, encontrei minha linha vazia e logo perguntei ao Capo que horas quem estava la tinha saído (porque o vi na rua as 14h e ele deveria SAIR DA LINHA AS 14H!) e ele disse que a linha foi abandonada 15min mais cedo. Duvido! Ele deve ter se dado conta 15min antes só. Quem fez isso, não tomou nenhum tipo de penalidade, pelo contrario, trocou o horário que era 8h as 14h no buffet e 19h as 00h30 no restaurante, pra 19h as 00h no restaurante e até as 4h ou 5h no buffet. Ok, trabalhar a madrugada toda, e depois da brata do restaurante é horrível, mas ter o boi de ter O DIA INTEIRO LIVRE, pra mim não é nenhum tipo de penalidade, e sim um bônus! Quer dizer então que se você fizer cagada, você é recompensado e NADA ACONTECE? Ele continua lá no restaurante, e eu, que saí por estar doente, saí por tão pouco, continuo no inferno no buffet.

Mas não vou chorar pra ninguém pra voltar a merda do restaurante. Não precisei chorar pra ninguém pra descer a primeira vez, assim como TODOS os outros fizeram, então acredito que se for pra ser, será. Não vou deixar orgulho de lado por tão pouco.

Eu sempre lembro que tenho que dizer muita coisa, mas sempre esqueço o que é quando começo escrever, e acabo fugindo totalmente do foco ao qual tinha no começo ;s enfim, o jeito é parar de escrever e postar tudo isso assim que possível.

Thank you for your colaboration.

Bye bye.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

NO LIKE GO HOME!


Frase típica de navio, sem conjugação de verbo e noção nenhuma de inglês, é a forma mais explicita de mostrar a alguém que se não se adapta a essa vida, vá pra casa que é a melhor coisa que faz.

Mas tem gente que não entende o recado. Aqui por exemplo, como é muito mais intenso e militar do que na outra companhia, o negócio é simples: ou você aguenta ou bye bye honey!

Tem hora que você para e começa a olhar as coisas ao seu redor, e tem gente que tem meses a bordo e não consegue fazer nada direito e você começa a se estressar por isso, e esse stress te gera antipatia gratuita, assim como também por aquelas pessoas que não tem nem um mês a bordo e acham que sabem tudo de tudo, e te irritam por quererem se achar o que não são. Você então começa a ver que as pessoas que te estressam são insignificantes e por elas se acharem alguma coisa, te estressam mais ainda, e então você percebe também que o seu stress está vindo das pessoas que te cercam e que esse stress só tende a piorar. Então fu.

Esses dias acordei meio nostálgico, e essa nostalgia só fez aumentar. Deu saudade da casa, do quarto, da família, dos amigos, dos cachorros, daquele role miado na praça bebendo cerveja barata e até mesmo das amnesias de sábado a noite. Fiquei vendo as fotos no celular e voltando até o começo, quando eu comprei e vi fotos desse embarque, da vida de antes dele, dos roles que eu vivia fazendo, dos momentos bons que passei, voltei a ver fotos do outro embarque e vi fotos de quando eu era feliz e vivia uma hiper vida lá na Ibero, de como tudo lá era fácil e divertido e como isso tudo aqui agora é esforço e e pressão que no final tem que valer a pena.

Tem horas que você pensa em desistir, pela pressão, pela injustiça toda que rola e você se revolta. Mas saber que tudo isso vai dar um fim, que o dinheiro que eu vou ter no final dessa merda toda vai me fazer bem e que eu vou conseguir as coisas que quero, que é um investimento a longo prazo (e bota longo) e que todo vai dar certo. Isso me faz seguir em frente.

Meu chefe anda enlouquecido, sim, não enlouquecendo, ele anda enlouquecido. O capo surtou! Umberto agora deu pra gritar por nada e falar coisas ridículas, surtar por muito pouco e fazer a linha “carrasco”. Pra que, eu queria muito entender. Ai invés de se mostrar o compreensivo de sempre e de continuar na teoria da “Família Feliz”, ele quer botar terror e que se dane a família nessa história.  Depois de gritar, de me tirar do restaurante e continuar gritando, não só comigo mas com todo mundo, eu resolvi ligar o f*-se e deixar que ele grite sozinho. Melhor assim, ele grita, eu acato e ele fica com cara de bunda :) que se dane ele também.

Bye Bye Ju.

E então se foi um pedacinho do meu coração.  Ela que desde o começo me cativou e que eu contava quase tudo, que foi separada de mim por um restaurante e depois nos juntaram de novo até nos separar novamente, resolveu seguir a vida lá de fora, depois de ser chamada no concurso do Banco do Brasil, o que é bem melhor que isso aqui. Mas indo embora, elA deixou um vazio. Não tenho mais pra quem soltar o meu doce veneno sobre as “coisas” que temos a bordo, ou naquele bendito e lindo buffet. É daquelas pessoas que você fica esperando pra contar as coisas, sabendo que vai te entender, e que agora você procura, procura e... cadê? Triste :( Mas enfim né. Acontece dessas coisas e sei que quando fui embora deixei pessoas assim no outro navio, cada um tem sua hora de largar os laços, e fortalece-los depois.

Falando em laços, vivo encontrando o Costa Favolosa, onde está o maldito do Cleyton, que combinamos antes de embarcarmos de nos encontrarmos sempre nos portos e depois de embarcado o filho da p* nunca mais deu notícias, exceto por UMA vez que postou no facebook que estava vivo. O jeito é achar alguém a bordo do Favolosa e achar esse cretino lá. Assim como foi com a dona Karine, que está a bordo do Pullmantur Zenith e eu não consigo encontrar nunca, mesmo estando nos mesmos lugares! Esses dias encontrei numa casa de cambio, uma galera com uniforme da Pullmantur, e logo vi um nametag escrito BARTENDER. Fui perguntar se conhecia a Ka e a menina disse que sim, pedi pra avisar que tinha me encontrado e que eu tento a meses falar com ela, sem sucesso. Logo depois encontrei o Marcos que trabalhou conosco na Ibero e TAMBÉM está no Zenith, pedi pra que avisasse a cretina que me encontrou, e  ela deu sinal de vida? Aham Claudia, senta lá. Irmã desaforada essa.

Bom, já desabafei o que tinha que desabafar e vou ficando por aqui, não deixando de esquecer de dizer que estou (sempre) com saudade da Família e dos Amigos.  Amo vocês, sempre.

Beijo, cambio desligo.   

domingo, 27 de janeiro de 2013

Hora de desabafar.


Decidi escrever por não estar num dia muito bom, e ter isso aqui como um meio de desabafo.

Bom, depois de ser “promovido” para o restaurante e lá permanecer até hoje, conheci os passageiros (super legais) do meu primeiro cruzeiro, depois do segundo, e do terceiro, assim como outros passageiros que nem meus eram, mas que sabiam que eu era e assim me cativaram assim como eu a eles. Porém, nem tudo que é bom dura pra sempre né...

A uns quatro dias eu peguei uma gripe muito ruim e desde então vim trabalhando doente, com dores no corpo, tontura e principalmente com a garganta inflamada e quase sem voz. Não só eu, como outras pessoas também, e assim essas pegaram Medical Off (quando não se trabalha por estar doente) e não foram trabalhar. Ruthilla e Dhiel do Buffet foram dois, assim como o Blaze da Cozinha e a Ana do restaurante. A Ruthilla ficou dois dias de cama, com bronquite, que ela NUNCA tinha tido e voltou ontem depois de melhorar um pouco.

Eu por minha vez, levei esses dias todos em consideração ao Umberto, que sempre foi tão legal com todos nós do Buffet, porém de uns dias pra cá, creio eu que pela inspeção a bordo de tudo, ele começou a surtar, se estressar e descontar tudo em nós. E então, depois de um dia me estressar sendo mandado calar a boca por querer dar uma explicação ridícula de uma coisa, e depois de brigar com ele, porque estava atrasado devido ao celular não ter despertado, e encadeado de eu jogar na cara dele que não estava bem de saúde e mesmo assim estava lá, eu simplesmente cansei de me comprometer com a empresa e com ele, a ponto de me sacrificar por eles, e fui hoje pela manhã ao Centro Médico, onde o doutor me deu o dia de Off para repousar e uns comprimidos pra gripe.

A tarde a Ruthilla me liga dizendo que foi retirada do restaurante porque fez algo que não agradou o Maitre. Deve ser o fato de ela ter dito ao passageiro que chegou 20 minutos antes de fechar o restaurante, que ele só poderia comer um prato principal e a sobremesa (e não entrada, sopa, massa, prato principal e sobremesa). Super certo da parte dela, que foi bem educada com eles até, apesar de terem feito uma merda dessa no último dia de cruzeiro. Os passageiros se mostraram conscientes e depois logo foram reclamar ao Ciro (assistente do Maitre) que obviamente, hipócrita e falso que é, foi falar ao Maitre, que por sua vez, tirou a Ruthilla do restaurante, a deixando desolada.

Se não bastasse, agora a noite meu telefone toca e o Umberto, compreensivo e preocupado *ironia* me pergunta como estou e digo que estou melhor. Me pergunta se volto amanhã e digo que sim, e ele me solta “amanhã volta as 5h30 e não 8h e vai fazer o horário do Arthur, na Pizzaria com o Deveson (y), não mais restaurante”. E quando eu pergunto o motivo ele me diz que eu estou cansado! NÃO! EU NÃO ESTOU CANSADO, EU ESTOU DOENTE! Isso é ridículo! As pessoas não podem ficar doentes que são automaticamente cortadas do restaurante? Depois de passar um mês lá, aprender tudo o que precisa, se adaptar a correria, aos maiores horários e gastar TODO o crew card em uniforme, ser “expulso” de lá? É algum tipo de piada? Aff.

Amanhã vou lá, eu, trabalhar as 5h30 da manhã SABE DEUS POR QUE e logo que sair, vou direto na sala do Maitre saber o real motivo pelo qual ele simplesmente me descartou.
Não estou legal com isso, porque não fiz nada de errado a não ser ficar doente, e isso não é errado!

Enfim, embora o horário do buffet seja bom e menor, aquele lugar não é mais como antes, agora é cheio de hipocrisia e falsidade, cheio de clima ruim e não é legal pra passar mais 6 meses de contrato.

Boa noite aí.
Saudades Família e Amigos.


Beijo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

TRA!


To a um bom tempo sem escrever, porque o tempo anda bem corrido, como sempre foi e sempre vai ser ao longo desses nove meses a bordo dessa Kombi aquática. É, não é só o Celebration que é uma Kombi, aqui também... pode ser luxuoso e tal, mas anda balançando feito uma canoa velha! Terrível.

O trabalho no buffet já se tornou normal, já me adaptei por completo a essa vida corrida e aos meus breaks de 6 horas... opa, mas pera lá... por que eu to falando no presente? Rs eu HAVIA me adaptado e eu TINHA 6 horas de break. Sentei no tomatinho.

Depois de passar o Natal fora de casa, pela primeira vez na vida longe dos meus pais, da minha família, e sentir isso uma das piores coisas da minha vida, e ainda por cima trabalhar na virada de um dia pro outro, trabalhamos até tarde no Ano Novo também, esse que não teve nada demais além da queima de fogos extraordinária em Copacabana. Passou Natal e uma Crew Party de Natal no Shaker Lounge (bar do navio), o Reveillon e uma outra CrewParty na Gangway (terrível) e enfim chegou o dia 3, meu aniversário e lá estava eu trabalhando. Não ganhei off, não ganhei internet, não ganhei bolo, não ganhei nada do que a companhia prometeu as pessoas as quais fazem aniversário. No final da noite a galera do buffet se juntou e cantou parabéns pra mim, com um bolo super lindo que o Blaize (indiano namorado da Ruthilla) fez pra mim. Receber mensagens e vídeos dos amigos e da família me emocionou e me fez sentir querido. Estava mesmo precisando de palavras de amor, de afeto, já que aqui é tudo tão.. tão.. vago, eu diria.

Por esses dias atrás, também conheci o Cristo Redentor, e vou confessar que de lindo ele TEM TUDO. É incrivelmente magnífico. Passamos por Ilha Grande e fomos a Praia do (maldito) Abraãozinho, a qual era igual todas as outras, e só nos fez caminhar em trilha por meia hora pra chegar até lá rs.

Enfim, voltando ao assunto de falar no presente. Isso não me pertence mais, até quando eu não sei. Depois de passar o meu aniversário (3) e jantar no restaurante (4) que era um dos “presentes” de aniversário oferecidos pela maravilhosa companhia onde trabalho *ironia*, trabalhei o outro dia pela manhã (5h30 as 8h) e fui pro meu break que iria até as 14h e se estendeu até as 19h. Off? Nãoo. Fui parar no restaurante!








Não sei por que, mas fui escolhido, depois que Marcos e o Fabio foram embora, pra subir e cobrir a falta de Asst. Waiter no restaurante. Ao contrário de muita gente que chega e fica de desposo (acho que é isso que fala), onde você vai ajudando pra aprender, sem uma estação fixa (estação = x mesas fixas pra atender), eu já cai direto de cara e mesmo dizendo que não tinha noção do restaurante daqui, eles confiaram no meu taco e me jogaram já com um waiter (Luis, hondurenho) e não é que o negócio fluiu? Primeiro dia de cruzeiro, passageiros novos, tudo deu certo, trabalhei feito um camelo (o que é bem normal) e ainda por cima carreguei bandeja com 10 e 11 pratos em cima (mais que 10 não pode) e tapei a boca de muita gente que ao me ver lá dentro disse: MANDARAM ALGUEM QUE NUNCA TRABALHOU! (y) TRA! Não só aprendi de cara como deixei uma galerinha de boca aberta e ainda ouvi elogios depois.

Fora que você tirar o uniforme lindo *ironia* do buffet e vestir uma roupa mais formal (uniforme do restaurante) é outra coisa. Faz bem ao ego, visto que muita gente te olha e fala: nossa, que mudança! HAHAHAHA O uniforme de gala então, que tanto reivindiquei no buffet, vesti ontem o do restaurante e só ouvi a galera: ooh que bonitinho SAUHSAUSAUHAS uó.

Enfim, vamos ver até quando isso rola, se é fixo ou se é só até chegar novos Asst. Waiters. Espero que seja fixo, sabe... Hoje me perguntaram se eu tinha gostado de trabalhar lá e eu sempre respondo a mesma coisa: no buffet você consegue parar e não cansa tanto. No restaurante você não para, mas também não ve a hora passar. E ao perguntarem onde eu preferia ficar, óbvio que mesmo com tanto peso, a coluna podendo zoar, o cansaço físico e mental, eu prefiro o restaurante, onde eu não preciso ficar aguentando falsidade (o que ta muito grande no buffet).   Posso contar no dedo quantas pessoas sorriram verdadeiramente com a minha “promoção”. É complicado, verdadeiramente complicado.

Fico por aqui, e até logo meus amores.
Saudade dos amigos.
Saudade IMENSA da Família.
Amo vocês.

Cambio desligo.

Ah! E meu horário agora é das 8h as 14h no Buffet. 18h30 as 00h30 no Restaurante. Adeus vida boa...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Muito tempo sem postar


Não sei por que, além é claro do tempo, que eu não escrevo mais.

Vivo bem ocupado, porque nossos horários estão de fato muuuuito corridos, e assim impossibilita parar e escrever. Quando não estamos trabalhando ou estamos fora do navio, estamos dormindo ou no bar tirando um pouco do stress.

Esses dias não tem tido muita coisa de interessante... A Mari finalmente chegou, mas eu mal a vejo, assim como a Adry, que só vejo quando passo por perto de algum bar no qual ela ta trabalhando. Chegaram novos tripulantes para o Buffet: Rafa e Dhiel. Ganhei amigos. Porém com o passar do tempo vejo que muitos que se diziam amigos naquele  lugar, não passam de cobras, aí eu entendo quando a Maria Clara dizia que a vida a bordo é podre, e eu discordava, achando que a vida a bordo da MSC era igual a da Ibero, cheia de amizades verdadeiras. Enfim, sinto falta disso.

Esses dias tem sido um pouco complicados, o desgaste está muuuuito grande e o cansaço bate forte, assim como os horários novos que são terríveis, o de hoje por exemplo (11h30 as 23h direto, somente com meia hora de jantar) Mas os outros, apesar de trabalhar o dia todo, temos 6 horas de break direto, o que nunca foi visto na MSC, mas também nunca buffet boy trabalhou das 6h30 as 23h30 né... rs

Estou gripado ainda, quem me tem no facebook certamente sabe, e ontem depois de passar o dia na praia de Ilhéus com o pessoal, voltei pro navio, tomei um banho e acordei bem mal, fui trabalhar e lá em cima comecei a soar frio, vi que estava febrio e que não me sentia bem, disse ao meu  Capo e ele me mandou pra cabine, onde vomitei até a minha alma (não sei por que, pode ser insolação, devido a estar doente e passar o dia no calor) eu inocente voltei depois de 30 minutos, achando que ele tinha me liberado pro break do jantar mais cedo e ele logo disse: volta pra cabine e só volte amanhã! Não ta bem, vai descansar! Ve se pode? Diz se ele não é demais? Ganhamos um chefe, um amigo e um “pai” nos momentos certos.

Hoje acordei bem, depois de dormir mais de 12 horas. Conheci os pais da Ju, que me fez sentir ainda mais falta dos meus, que espero ver mesmo em Ilhabela, estou definitivamente M O R R E N D O de saudade da minha família, dos meus amigos, e é muito distinto do sentimento que sentia antes, no outro contrato, sei lá, aqui ta muito mais intenso, talvez pelo fato de aqui não ter com o que se ocupar no tempo vago, você só trabalha, sai, trabalha, come, trabalha, vai no bar dar oi pro bartender e volta pra cabine, pra dormir e voltar pra aquela rotina idiota de todos os dias.

Nem sei mais o que estou escrevendo... Sinto falta de alguém a quem confidenciar tudo aqui... Uma Karine pra me aguentar, uma Sabine pra me suportar, uma Mylenna pra me apoiar... Fui feliz e fazia desdém :/

Enfim, acho que não tenho muito o que dizer, afinal, a vida a bordo do MSC Orchestra não é cheia de aventuras, exceto é claro que hoje pela segunda vez, fui ao teatro assistir o show e participar da cerimonia de encerramento, onde na noite de gala, acontece o espetáculo no  Teatro, onde no final, um membro de cada setor da tripulação entra no palco durante We Are The World USAHUSHSU um mico sem igual que eu já estou me acostumando... Você fica na frente de todos os passageiros lá aplaudindo e tirando fotos, enquanto você ta com aquele uniforme escroto, sorrindo e fingindo que tem a melhor vida a bordo do mundo. Hipocrisia dominante. Wharever.

Acho que fico por aqui, postarei obviamente esse post depois de amanhã, quando chegar no Rio, já que amanhã é Navegação e eu me recuso a comprar internet a bordo. Bebo meu crédito mas não compro internet.

Não postei no Rio, postei 3 dias depois :)

P.S.: Queria sentir tudo o que você me fez sentir em tão pouco tempo, mais uma vez. I Miss You.