sábado, 10 de novembro de 2012

e a vida continua...

Hoje queria escrever, porque já tem uns dias que eu atualizei isso aqui, e quero manter atualizado. Não escrevi antes por falta de tempo mesmo, não é só porque disseram que atualizo ele mais do que no outro contrato rs.

Última vez que postei falando sobre o que ta rolando aqui foi em Messina, e amanhã é Messina de novo, sinal de que fora o post sobre “o dia de um buffet boy”, faz 11 dias do último post, já que o cruzeiro tem 11 dias.
Hoje eu to me sentindo bem até, apesar de tudo que já aconteceu. Nesses dias eu fiquei com saudade de tudo, com saudade do mundo, chorei e perdi metade do humor que estava mantendo desde o começo, apesar dos pesares.
Esses dias eu briguei com meu capo, já que ele disse que os brasileiros não trabalhavam, enquanto todos estavam se matando (exceto a irmã Osana que só sabe enrolar) e os Indonésios estavam todos coçando. Discutimos e ficou bem explicito que eu não gostei nada de ouvir aquilo, ainda mais pelo fato de ficar trabalhando todas aquelas horas por dia, sem que a pizzaria fechasse (cada cruzeiro abre um lado a tarde, e esse esta sendo o meu lado, onde eu fico trabalhando direto, em vez de limpar tudo). Mas tudo se normalizou no dia seguinte, porque ELE veio me pedir desculpas, porque óbvio, sabia que tinha falado merda. Mania de italiano achar que brasileiro não trabalha...

Esses dias também, passamos por Valletta (Malta, que eu já havia passado no contrato passado) e dessa vez com um pouquinho mais de tempo do que no começo do ano, eu desci (sozinho porque não encontrei ninguém) e tirei várias fotos, que vou postar no facebook assim que conseguir tempo pra respirar.

Saí também em Genova, com a Ju e a Michelle, fomos até o centro e vimos que além da beleza da cidade, algumas construções históricas, a cidade de fato não tem nada demais (assim como quase todas dessa rota ¬¬)


A Grécia entrou em greve de alguma coisa e então não fomos pra Heraklion e nem Athenas, mudando a rota pra Santorini (Grécia) e Izmir (Turquia), ambos lugares onde já passei no outro contrato, e em Santorini foi a revolta coletiva, já que enrolaram mil anos pra liberar a saída DOS PASSAGEIROS e nos barraram, dizendo que crew só poderia sair as 15h30 e voltar as 17h, sendo que nós estamos de break das 12h até 14h30 (y) ou seja, todos ficamos sem descer. Isso me revoltou MUITO, por todos, não por mim, sei o quanto o lugar é bonito e valia a pena descer, sei que essa mudança de rota pode nunca mais acontecer, e eles ficaram sem conhecer um dos lugares mais lindos que eu já conheci.  O mais revoltante foi voltar a trabalhar e ver que vários passageiros escrotos revolveram SIMPLESMENTE não sair do navio (SANTORINI! Um dos lugares mais lindos do mundo! DE GRAÇA! Porque não estava incluso na rota do pacote ao qual esses merdas pagaram!!) e ficaram no buffet comendo pizza, tomando chá e jogando cartas. POSSO COM ISSO?


Em Izmir, combinei de sair com as pessoas, mas como sempre o break só complica e então saí sozinho, troquei meu dinheiro e foi só isso, tirei fotos e voltei pro navio pra trabalhar, já que a vida continua...


Uma noite aí, que não lembro qual, me dei ao luxo de ir pro crew bar, esperar a Adry (que sai 1h30) e farrear um pouco com o pessoal do bar, já que o pessoal do restaurante só sabe trabalhar e dormir. PRECISAMOS disso de vez em quando, mesmo todo mundo dizendo “depois reclama!”. Pensem comigo: se ficarmos trabalhando, dormindo, comendo, trabalhando, comendo, dormindo... QUEM sobrevive (se não é indiano ou indonésio?) Fui dormir bem tarde e acordei bem cedo, trabalhei normal e não me arrependo de ter feito isso. Quebrar a rotina faz bem! Faz muito bem!

Ontem o Alberto (buffet boy hondurenho) foi embora e anteontem fizemos uma despedida na cabine dele, com direito a música alta (não pode) e coca cola com batata ruffles ASUHUASH ficamos uma hora lá, acho e depois finito la musica (fim).


No Overnight, saímos em bando e fomos pra mesma balada da semana passada, que todo mundo achou cara (beber, porque não se paga pra entrar nas baladas de Istambul) mas estava tudo barato porque reclamamos pro cara de lá rs. Ficamos por lá um bom tempo, tocou música brasileira cara! E ele nem sabia que tinha brasileiros lá. Depois de um tempo e de ouvir Gamgan Style, a Ruthila quis ir conhecer outra balada e então fomos eu, ela e David achar outra, que estava a duas quadras dalí, e quando entramos, estava a maioria da tripulação do MSC Orchestra Haha. Estava melhor que a outra, e por isso fui avisar a galera na outra balada, que ficaríamos por lá, mas eles disseram que já iam voltar pro navio, e então voltamos pra segunda e ficamos até umas 3h, voltamos pro navio e acordamos todos pra trabalhar as 5h30. BE É LE ZURA
.




Apesar de tudo, eu estou aguentando muito bem. Claro, dá aquela saudade, bate aquela deprê as vezes, meu pé está todo calejado, ontem encostei nele e tomei até um susto, não tinha reparado nisso ;s minhas queimaduras (uma em cada braço, nos dedos) já estão todas sarando, porque agora não me queimo mais nos lugares porque sei como tomar cuidado haha.

Enfim, acho que é isso, além da saudade, estou bem :) firme feito prego na areia.

Cambio desligo.

domingo, 4 de novembro de 2012

O Buffet Boy (eu)


Vista da ponta do buffet do MSC Orchestra

Pra começo de conversa, o buffet é dividido nesse navio em quatro partes diferentes (que de diferentes não tem nada...) e fica sendo então a parte Buffet La Piaseta de dois lados e a parte Restaurante Four Season de dois lados.

É complicado explicar detalhadamente como funciona, mas vou demonstrar pela minha linha (pizza) e dá pra ter uma noção, pra quem vai embarcar nessa posição infernal :) HAHAH

Pra ter uma noção, todo navio quando você diz sua posição, você complementa: Eu trabalho demais. E SEMPRE alguém (de outro setor ou outra função) vai te dizer: “Eu trabalho mais”, ou “eu trabalho tanto quanto você”. AQUI É DIFERENTE! Quando você diz: “EU TRABALHO NO BUFFET” as pessoas já tem pena de você e não dizem que trabalham mais, porque obviamente É MENTIRA. É o buffet que não para e é ele que tem o pior horário e trabalho.

Vou começar uma rotina, básica de hoje por exemplo... Os horários variam (podemos entrar  no café as 6h, as 5h30 ou as 5h).

Hoje entramos as 5h para montar a linha e deixa-la preparada para os passageiros passa-fome começarem a atacar as 6h. Mas essa linha nós temos que montar em 30 minutos apenas, porque os outros 30 minutos são de luxo que nos damos pra tomar café “escondido” dos passageiros, na parte Four Season. Ou seja, entrei hoje as 5h, preparei a minha linha até as 5h30 e fui tomar meu café (quando não da tempo a gente engole o café mesmo) e 6h já estava a postos na linha para repor toda a comida (pão) que os passageiros fazem questão de pegar da linha ANTES de dar o horário de abertura.

7h30 entrei no meu primeiro break do dia (aquele que o navio nunca esta no porto e você usa SEMPRE para por o seu sono em ordem devido a madrugar as 4h30 por exemplo) e muitas vezes você dorme tão bem (ironia) que volta mais acabado do que tudo pra trabalhar. Esse break no buffet é de 1h e 30 minutos. Voltei as 8h30 e fiquei lá repondo tudo até dar 9h30 e o buffet fechar (a parte La Piaseta, porque algumas outras linhas abrem mais tarde pra ficarem abertas até meio dia, por exemplo. O que não significa que as pessoas não madrugaram comigo :D)

(Minha linha pela manhã é abastecida com ovo frito, omelete, danish, torradas(que queimam minha mão), brioche, croissant, pão de chocolate, muffy, pães integrais e geleias de tudo que é tipo ;s)

Das 9h30 as 11h30 é hora de limpar a linha (com os 3 baldes? NEVEEER UASHASUHASU Só quando o Sanitation enche o saco) e assim que limpamos a linha, vamos pras mesas pegar pratos das mesas dos passageiros (o que de manhã os Assistant Waiter’s fazem). 11h NORMALMENTE, somos liberados pra almoçar no Crew Mess e voltar as 11h30 pra montar a linha do almoço as 12h.

(a MINHA linha do almoço é abastecida com 2 Pizzas (obviamente que não duram 5 minutos cada), Hamburguer, Batata Frita, Hot Dog, Focaccia, Pão de hot dog, de hambúrguer, integral, normal, um pão feio lá e grissini)

Normalmente quando termino de montar a linha 12h eu já sou liberado pro segundo break do dia (esse de 2 horas, que nunca são 2 horas, porque até descer do 13º andar, se trocar e sair, já perdeu meia hora) Aí volto as 14h e fico com a linha aberta até umas 15h e depois disso só fica a Pizza DIRETO. Cada semana um lado fecha, ou seja, semana passada o meu lado fechava e o lado do Grill ficava com a pizza a tarde toda, essa semana é meu lado.

Essa é a hora que todo mundo fecha a linha e limpa, vai pra fora e fica nas mesas, varrendo ou mopando (Moop é tipo um esfregão usado no navio, que aqui virou verbo: eu mopo, tu mopas, ele mopa, nós mopamos...HAHAHAH) Mas o tonto que ta na linha da Pizza ou do Grill não tem como limpar porque as pizzas não param :) legal né? Ou seja: INFERNO. É um horário que os passageiros ficam tomando chá, leite, café, xixi, sei lá o que esses merdas tanto bebem lá, que o que tem pra hoje é pizza e eles comem feito biscoitinho! E não adianta você por 4 na linha de uma vez, elas somem em questão de minutos, se não segundos! Ou seja, EU ESTOU NA PIOR DAS LINHAS? Acho que posso dizer que sim, só perco pra Hot Line que eu já fiquei e é um inferno maior ainda, mas tem a vantagem que na hora que fecha, ela FECHA.

Quando o outro lado ficava aberto, nós limpávamos e ficávamos enrolando varrendo, tirando pratos e inventando o que fazer até as 17h30, agora eu e o Arthur trabalhamos e todo mundo faz isso nesse horário rs. 17h30 toda galera entra de break de 1 hora, o último do dia, que de break não tem nada, deveria se chamar “pegadinha do malandro”  porque né...

Você desce as 17h30 e até chegar na cabine já se foram 5 ou 10 minutos, aí ou você toma um banho, ou dorme, ou faz qualquer outra coisa que lhe convir nesses 20 minutos. SIM! 20 MINUTOS. Porque as 18h o Crew mess abre e você tem que jantar rs. Aí você engole sua comida em meia hora e está na sua linha as 18h30 a postos pra abrir aquela merda de novo as 19h pra aquele monte de esfomeado QUE JÁ SE ENTUPIU DE COMIDA O DIA INTEIRO comer de novo :D

(a minha linha do Jantar é basicamente a mesma do almoço: pizza (2), hambúrguer, hot dog, batata frita, tem kebab a noite, e além  dos pães, tem salada (alface, tomate, pepino, queijo, salame...)

O Jantar fica aberto das 19h as 21h normalmente (quando cheguei fechava as 22h) e quando dá 21h adoramos ouvir o sonoro “SOLO PIZZA” ou “ONLY PIZZA” do Capo (Capo=Chefe=Afonso=Italiano) e então todo mundo tira a linha correndo antes que alguém venha pedir comida e limpa tudo até umas 21h40, por aí. Depois disso: CABINA.

Há quem ainda tenha disposição pra encarar uma academia (o que não é o meu caso) ou um Crew Bar (o que era o meu caso no começo, agora não mais rs) e enfim, acorda no outro dia destruído de novo porque 4h30, 5h30 é sacanagem com o peão que trabalhou 12h no outro dia né :/ Porém, o que podemos fazer? Sempre ouvi isso na Ibero e to levando muito em consideração aqui: QUER BARCO? TOMA BARCO!

Acho que deu pra ter uma noção de que no Buffet se trabalha 12h pra mais e que os maior tempo pra você sair do navio é de 1h30 né?

É um trabalho  complicado, pesado, cansativo, maçante por ser a mesma droga todo santo dia, porém tem sempre uma galera alto astral pra te por pra cima, ou tentar, quando você ta mal. Logo no café da manhã você já começa a rir, pelo menos aqui, porque sempre surgem as perolas da Ruthila ou do Arthur, da Michelle, que seja. E você cria um vínculo de família mesmo, desde os que eu falo mais, como a Juliana pequena e a Juliana morena, o David, os indonesianos Kadek, Visu, a louca da Osasa, a Vivi, os meninos do Dish Wash, o Chef da cozinha e a galera que lá trabalha, assim como o Capo e o Giovanni múmia ASUHASUASHUASHU Wharever... Eu gosto dessa vida louca, louca vida. Dá pra levar o resto do contrato, eu acho rs.

Cambio desligo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um pouco mais da vida a bordo.



Tem coisas que você só vai saber na vida, se tentar. Trabalhar em navio é uma dessas.
É uma experiência única, incrível e as vezes traumatizante.
Eu, que não sou mais um marinheiro de primeira viagem, senti um impacto muito grande e imagino que pra galera que nunca havia pisado em um navio, foi pior ainda.

O trabalho nesse navio é muito mais intenso. O buffet, onde eu estou, não para nunca. Só a noite. Café da manhã, almoço, pizza e jantar. Quando uma linha fecha, a outra abre e enfim, enquanto uns estão limpando todas as linhas usadas, outros estão ralando nas outras linhas que ainda não fecharam, e nisso rola um revezamento, onde ninguém tem o direito de terminar o serviço e sair pra um break. O negócio aqui é: mantenha-se trabalhando, mesmo se não tiver absolutamente nada pra fazer: invente.

Entre várias coisas que senti diferenças, estão a comida e a qualidade de vida. A comida, apesar de não ter gosto de nada, as pessoas dizem que não é ruim. Eu estava acostumado com arroz com sal, feijão e máfia na cozinha da Ibero, então aqui o que posso comer a todo momento sem reclamar, é o que tem no buffet: pizza, hambúrguer, hot dog, kebab, batata frita e essas coisas que não são muito “geração saúde” rs. Capaz que eu engorde... Será?

Aqui na MSC, você não tem a liberdade de sair de chinelo pelos corredores (só pelo deck 3, onde você mora e tem uma porta contra água em cada corredor separando, ou seja, se você for querer ir pro outro corredor, você ou abre a maldita porta (que não pode e todo mundo abre) ou então sobe as escadas e desce as outras (correndo o risco de ser pego por alguém de chinelo no corredor do 4). Na Ibero você podia andar de chinelo pelo 2, pelo 3 e ainda ir até o deck 8 na frente ou na traseira do navio, brisar um pouco.

Aqui não tem deck 8 pra brisar. Aqui você tem um deck aberto (acho que é o 7) com uma MINI piscina. Porém fica aberto só das 9h as 19h (horário que muita gente ta trabalhando) e depois desse horário FECHAM a porta (y) ou seja, você pode sair da sua cabine, ficar no seu corredor ou ir no Crew Bar.

O Crew Bar aqui, ao contrário da Ibero também, não tem música. Tem uma big TV que fica praticamente todo o tempo passando jogo de futebol e a italianada surtando ¬¬’
No Crew Bar é o Smoking Point, ou seja, O ÚNICO LUGAR ONDE OS TRIPULANTES PODEM FUMAR. Não tem deck nenhum, só o crew bar, então imagine o cheiro do lugar (y) delícia! E com o detalhe de que, na Ibero reclamávamos por fechar o bar as 2h e aqui fecham 1h30 :) Estou a 11 dias a bordo e não houve nenhuma crew party, nenhuma festinha, nada! E disseram que não há faz tempo.

No crew mess (que na Ibero era aberto 24h e você podia ir la ver tv, beber um leite, comer alguma coisa...) você só entra nos horários de refeição (café, almoço, jantar e jantar da madrugada). Nada mais.

Com toda certeza, foi um enorme impacto pra mim, e ainda está sendo. Além de que, por não ter esse envolvimento de ter espaços abertos pros tripulantes frequentarem, cada um se limita no seu espaço: crew anda com crew, staff com staff. É raro eu ver o contrário, a não ser quando você tem um relacionamento com um. Officer então, nem comento.

As diferenças culturas ocorrem em todo contrato, em qualquer navio. Você não vai entender muita coisa do que os indonésios ou indianos dizem, vai se enrolar com o inglês dos italianos e vai  tentar entender os diferente sotaques dos hondurenhos rs.

Cada um com seu cada um. E mesmo que surja aquela vontade imensa de voar no pescoço de algum desses filhos de uma boa mãe, a melhor coisa é se segurar. Apenas, já que qualquer agressão física é desembarque na certa.

Acho que deu pra contar um pouco como esta sendo a diferença que estou sentindo a bordo dessa nova casa flutuante.

Fico por aqui, porque meu maior break do dia ( de duas horas) está chegando ao fim bem na hora em que chegamos no porto de Messina, na Itália (só pra garantir que não vou sair do navio mais um dia e vou icar mofando naquele buffet  com aqueles passageiros passa- fome.)

Beijo beijo, tchau!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Casos e Acasos: A Criança Maldita.


Era uma vez uma família turca (acho que aquele raça era turca ;s). Eles foram viajar num navio de cruzeiros, mas só se esqueceram de um detalhe: não saber criar o próprio filho.

Tinha mais uns jovens estranhos juntos, mas o que chamou a atenção foi um menino de aparentemente 1 ano, abrindo TODOS os saques de açúcar e jogando em cima da mesa, e os pais não fazendo NADA!

Depois se não bastasse, chamaram um waiter (garçon) brasileiro pra limpar, e ele fingiu não ouvir, até que chamaram um hondurenho... Beleza.

Depois de limpar, a criança decide então SUBIR EM CIMA DA MESA.
Ficou lá, em pé, em cima da mesa, até o meu capo (chefe) ir pedir a família que controlasse a criança (porque pros pais imbecis tudo era festa)

Depois disso, a criança voltou a abrir saquinhos  de açúcar e foi aí que eu entrei na historia. (NÃO! Eu não meti a mão, embora fosse o desejo de senso comum) O pai da criança maldita me chama e diz pra EUU (um mero buffet boy) falar NO pra criança.

Eu hesitei e quando finalmente olhei pra criança e disse: No.
Ela fez uma cara de Samara Morgan e gritou AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH
Pensa na minha cara de bolinha, sem reação. Fiz sinal de positivo pros pais, como quem diz: Ok, fiz minha parte. Mas na verdade quis dizer com o sinal: BOUA! EDUCAÇÃO DE MERDA QUE VCS DÃO PRA ESSE MINI DEMONIO! ASUHASUASUHASUH

Dias se passaram e a criança continuou causando, subindo na mesa, derrubando comida no caminho todo, comendo com a mão e fazendo uma sujeira desgraçada. Enfim, acho que finalmente essa família desembarcou hoje (assim espero).

sábado, 27 de outubro de 2012

Eu to bem!


E engraçado dizer isso depois de reclamar de tudo, e todo mundo sabendo que o trabalho aqui dura 13 horas por dia, com horários picados e tudo mais... Mas quando você começa a se acostumar, tudo fica mais fácil.

O trabalho em si é pesado e puxado, mas como eu já peguei todas as manhas, já fico tranquilo.
Já conheço todas as pessoas do buffet, da cozinha, e algumas de outros setores. Já sei um pouco em quem posso confiar e em quem não posso, além de quem comentar o que, porque tudo precisa de comentários maldosos, principalmente sobre os passageiros e sobre o chefe UASHASUHASU  enfim...

O negócio é punk, mas você vai vivendo um dia de cada vez. Não quero assustar ninguém (Lele e Tata, por favor, parem de achar que é um inferno (é.. na verdade é, mas vc acostuma SUAHASUASH brincadeira, o horário e ambas a bordo é bom).

Hoje estou me sentindo mais leve, não sei por que, mas parece que agora eu consigo aguentar os 9 meses tranquilamente :) Só preciso de tempo pra falar com a Adry, que ta complicado... a Mah precisa chegar pra causar aqui e botar o terror no barco HASUHUS e essas coisas que afastam o pensamento desse mundo complicado que é a vida a bordo.

Bom, só pra parar de causar e botar medo no povo! A Vida É SUPORTAVEL! (pra mim. Não falo pelos outros)

Cambio desligo

P.S.: Esse contrato já me rendeu três ou quatro dedos com calos enrolados no banda aid +  uma queimadura no dedo que queimei tostando torrada pra uma alemã (vai que ganho dinheiro da perua UASHUAS) + uma queimadura em cada braço por encostar na luz quente da linha (y) BOUA PEDRO SAUHASUASUASHUAS Mas o melhor disso tudo¿ eu to vivo :)

Beijo galere!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Bem Vindo ao Inferno


É uma doce mensagem de boas vindas que logo recebemos ao embarcar em qualquer navio! Pelo menos um filho da p* vai falar uma coisa dessas já pra te deixar preocupado com o que esta por vir... Acontece que toda vez que ouvia “bem vindo ao inferno” eu já soltava um “eu vim de lá” Afinal, o que é a Ibero né? Rs.

Acontece que a Ibero era muito vida boa e de fato, o inferno é aqui!

Na Ibero eu trabalhava umas 10 horas e nesse tempo fazia meia hora de café, meia hora de almoço e meia hora de jantar. Aqui já tirando essas meias horas de refeição, eu trabalho 13 horas por dia, e muitas vezes essas horas de refeição são no meio do break de 1 hora apenas. BOUA MSC!

Entro as 5h30 e fico até umas 7h30, então faço um break de 1h e meia e volto as 9h. Depois fico até as 11h e vou almoçar, onde fico até 11h30 e volto ao batente, saindo 12h e voltando as 2h (break de 2 horas). Depois disso eu trabalho até umas 18h e desço pra jantar em meia hora e dormir na outra meia que tenho no meu break de 1 hora apenas! Depois disso fechamos o buffet as 22h e saímos as 22h30. As vezes ele fecha as 23h (graças a deus não peguei um dia desses ainda, mas em compensação hoje (24/10) peguei o café da manhã, onde entramos as 5h (QUEM COME AS 5H30???)

Enfim, aqui é bem puxado.

Logo que chegamos, depois de ficar 12 horas num voo SP/Roma, mais 1 hora no voo Roma/Nápoles que não saia nem a pau o avião da pista. Chegamos no aeroporto e ficamos esperando mais 1 hora pelo menos, pra chegar no porto e ficar mais umas 2 horas mofando esperando a mulher da imigração ter a boa vontade de carimbar nossos passaportes. Fomos recepcionados pelos seguranças Israelenses (que eu pensava que eram todos amarelos e enormes e estão mais para loirinhos filhinhos de papai HAHAHA)

Todas as malas foram abertas, fomos ao Crew Purse (RH) entregar a documentação, pegamos uniforme e a maioria de nós trabalhou no mesmo dia. Tudo novo, tudo de boa, até cansar.. Acordar 5h30 e ir trabalhar feito um camelo com esse horário que eu nem sabia como era. Cansaço, cansaço e cansaço.

Cheguei bem num ponto de cansaço onde não sabia mais se era cansaço ou outro tipo de coisa, fiquei mal mesmo e vi que esse lance de “fica pelo menos um mês pra saber o que é e se adaptar” não funciona aqui. Ou você se adapta ou você não se adapta. Aqui É PUXADO MESMO.

Estou dando força pros meninos que vieram comigo, pra que consigam, mas sei que isso não depende muito deles, o corpo tem hora que pede arrego. O meu pediu, mas o meu juntou a impotência que estava sentindo por não poder entrar na internet, não poder telefonar, não poder matar saudade e não poder sequer ter com quem conversar e desabafar.

Hoje eu entrei na internet no meu break de 2 horas e confesso que me senti MUITO melhor e consegui até me divertir no Buffet enquanto trabalhava, já que tirei meio que um elefante das costas, não sei por que, mas sinto isso.

Trabalho com pessoas legais, pessoas loucas, gente chata e um chefe Italiano super sem noção, agora que chefe em navio não é sem noção? UASHSAUH enfim.

Não sei se tenho muito mais o que dizer. AH! O avião vindo de SP pra Roma teve muita turbulência, e eu ainda estava na última poltrona. Sei que o avião não caiu no meio do Saara (pior turbulência) só porque tinha um padre do nosso lado e rezou antes de decolar HAAHHAH conheci ele (italiano) e uma galera que estava indo pro Vaticano. Super simpáticos.

Não tenho mais o que dizer. Fim.
Nem tão firme, nem tão forte, mas aqui.

Cambio desligo.

Bem Vindo ao Inferno


É uma doce mensagem de boas vindas que logo recebemos ao embarcar em qualquer navio! Pelo menos um filho da p* vai falar uma coisa dessas já pra te deixar preocupado com o que esta por vir... Acontece que toda vez que ouvia “bem vindo ao inferno” eu já soltava um “eu vim de lá” Afinal, o que é a Ibero né? Rs.

Acontece que a Ibero era muito vida boa e de fato, o inferno é aqui!

Na Ibero eu trabalhava umas 10 horas e nesse tempo fazia meia hora de café, meia hora de almoço e meia hora de jantar. Aqui já tirando essas meias horas de refeição, eu trabalho 13 horas por dia, e muitas vezes essas horas de refeição são no meio do break de 1 hora apenas. BOUA MSC!

Entro as 5h30 e fico até umas 7h30, então faço um break de 1h e meia e volto as 9h. Depois fico até as 11h e vou almoçar, onde fico até 11h30 e volto ao batente, saindo 12h e voltando as 2h (break de 2 horas). Depois disso eu trabalho até umas 18h e desço pra jantar em meia hora e dormir na outra meia que tenho no meu break de 1 hora apenas! Depois disso fechamos o buffet as 22h e saímos as 22h30. As vezes ele fecha as 23h (graças a deus não peguei um dia desses ainda, mas em compensação hoje (24/10) peguei o café da manhã, onde entramos as 5h (QUEM COME AS 5H30???)

Enfim, aqui é bem puxado.

Logo que chegamos, depois de ficar 12 horas num voo SP/Roma, mais 1 hora no voo Roma/Nápoles que não saia nem a pau o avião da pista. Chegamos no aeroporto e ficamos esperando mais 1 hora pelo menos, pra chegar no porto e ficar mais umas 2 horas mofando esperando a mulher da imigração ter a boa vontade de carimbar nossos passaportes. Fomos recepcionados pelos seguranças Israelenses (que eu pensava que eram todos amarelos e enormes e estão mais para loirinhos filhinhos de papai HAHAHA)

Todas as malas foram abertas, fomos ao Crew Purse (RH) entregar a documentação, pegamos uniforme e a maioria de nós trabalhou no mesmo dia. Tudo novo, tudo de boa, até cansar.. Acordar 5h30 e ir trabalhar feito um camelo com esse horário que eu nem sabia como era. Cansaço, cansaço e cansaço.

Cheguei bem num ponto de cansaço onde não sabia mais se era cansaço ou outro tipo de coisa, fiquei mal mesmo e vi que esse lance de “fica pelo menos um mês pra saber o que é e se adaptar” não funciona aqui. Ou você se adapta ou você não se adapta. Aqui É PUXADO MESMO.

Estou dando força pros meninos que vieram comigo, pra que consigam, mas sei que isso não depende muito deles, o corpo tem hora que pede arrego. O meu pediu, mas o meu juntou a impotência que estava sentindo por não poder entrar na internet, não poder telefonar, não poder matar saudade e não poder sequer ter com quem conversar e desabafar.

Hoje eu entrei na internet no meu break de 2 horas e confesso que me senti MUITO melhor e consegui até me divertir no Buffet enquanto trabalhava, já que tirei meio que um elefante das costas, não sei por que, mas sinto isso.

Trabalho com pessoas legais, pessoas loucas, gente chata e um chefe Italiano super sem noção, agora que chefe em navio não é sem noção? UASHSAUH enfim.

Não sei se tenho muito mais o que dizer. AH! O avião vindo de SP pra Roma teve muita turbulência, e eu ainda estava na última poltrona. Sei que o avião não caiu no meio do Saara (pior turbulência) só porque tinha um padre do nosso lado e rezou antes de decolar HAAHHAH conheci ele (italiano) e uma galera que estava indo pro Vaticano. Super simpáticos.

Não tenho mais o que dizer. Fim.
Nem tão firme, nem tão forte, mas aqui.

Cambio desligo.